Alentejo aposta no enoturismo

Dormir sob as estrelas no meio do vinhedo, testar vinhos com o melhor da gastronomia alentejana ou, na altura das vindimas, ajudar a apanhar e a pisar as uvas são algumas das propostas das unidades de enoturismo do Alentejo, um dos nichos de mercado que mais tem crescido nos últimos anos.

“O Alentejo é cada vez mais procurado pela gastronomia e pelos vinhos”, diz a enóloga Patrícia Baptista, do L’and Vineyards, um hotel de luxo próximo de Montemor-o-Novo cuja paisagem é a vinha e onde todos os clientes podem levar para casa garrafas com rótulos personalizados. “A cultura do vinho e da vinha é um dos aspetos essenciais da nossa identidade”.

Francisco Bilou, responsável pelo turismo na Câmara de Évora, constata igualmente uma procura crescente pelos produtos turísticos associados à gastronomia e vinhos: “Depois do património histórico é o que traz mais turistas à região, mesmo estrangeiros”.

Em Montemor-o-Novo, no L’and Vineyards é a vinha que desenha a paisagem e uma pequena adega permite aos hóspedes vivenciar a arte da produção do vinho. O “resort” inclui uma série de moradias, com um lote de vinha incluído, o que permite aos proprietários produzirem o seu próprio vinho.

“As pessoas escolhem as castas que querem incluir no lote, o tipo de vinificação que pretendem fazer, em carvalho francês ou americano, e depois personalizam completamente a garrafa”, explica Patrícia Baptista. “Vamos entregar a primeira produção a 7 proprietários antes do final do ano”.

Não se tratando de um conceito acessível a todas as bolsas, a alternativa pode ser a personalização do rótulo. Qualquer cliente interessado em levar para casa uma ou mais garrafas com um rótulo desenhado à sua medida pode fazê-lo, garante a enóloga, assinalando que apenas para as encomendas feitas online é exigida uma encomenda mínima de 6 garrafas.

O empreendimento inclui um restaurante inspirado numa cozinha de agricultura sustentável e um SPA inserido na paisagem em torno de um vale central de vinha com massagens e tratamentos de beleza baseados na uva e produtos naturais. Estão sempre disponíveis cursos e provas de vinho, mediante marcação prévia. E os responsáveis do hotel – inaugurado em 2011 na sequência de um investimento de 44 milhões de euros levado a cabo pela família Sousa Cunhal – garantem que apesar da crise a procura está a correr conforme esperado.

“Temos tido taxas de ocupação muito simpáticas”, diz Patrícia Baptista, que assinala uma crescente procura por parte de turistas estrangeiros, em particular oriundos do Brasil, Estados Unidos e dos países do Norte da Europa. “O cliente brasileiro escolhe-nos porque temos um conceito vínico muito marcado mas parte daqui para visitar outras adegas da região, em particular a Cartuxa e o Esporão pois são vinhos que se vendem muito no Brasil”.

Entrar na Adega da Cartuxa, em Évora, é “recuar” 500 anos no tempo.

O enoturismo encontra-se instalado no antigo refeitório da casa de repouso dos Jesuítas, que lecionaram na Universidade de Évora desde   o século XVI até à expulsão, em 1759, por ordem do Marquês de  Pombal. Passados 20 anos, já ali funcionava um importante lagar de vinho.

A propriedade é hoje em dia um dos centros de estágio dos vinhos da Fundação Eugénio de Almeida. Além de visitas guiadas e provas de vinhos, são organizadas diversas atividades durante a época das vindimas, que incluem um percurso pedestre por entre montado de sobro e vinhas, terminando na adega com uma prova de vinhos acompanhada por queijos e enchidos alentejanos.

Localizada nas proximidades de Reguengos de Monsaraz, a Herdade do Esporão foi das pioneiras a apostar no enoturismo estando integrada, desde 1997, na Rota Mundial dos Vinhos. Um dos pontos altos é a visia à cave enterrada no subsolo, onde estagiam os melhores vinhos da empresa. Por aqui passam anualmente mais de 35 mil pessoas.

Renovado em 2012 na sequência de um investimento de 3 milhões de euros, o enoturismo do Esporão inclui um restaurante e um ‘wine-bar’. A empresa foi a vencedora dos Green Project Awards 2013 (atribuídos pela Agência Portuguesa do Ambiente e pela Quercus) pelas suas práticas de produção agrícola sustentável, entre as quais a transição do modo de produção integrada para a produção biológica.

Texto: Luís Godinho

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