Carmen, de Bizet, inaugura temporada lírica do São Carlos

Carmen, a obra-prima de Bizet, numa produção do aclamado encenador Calixto Bieito, inaugura dia 6 de outubro temporada lírica do Teatro Nacional de São Carlos. Em palco estará uma produção pouco convencional, interpretada por um inédito elenco que reúne talentos nacionais e internacionais, aos quais se juntam o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa.

Logo após a sua publicação em 1845, Carmen, a novela de Prosper Mérimée foi rotulada de chocante e escandalosa. Trinta anos mais tarde, Georges Bizet estreia a “sua” Carmen em Paris e, desde então, é uma das óperas mais frequentemente encenadas em todo o mundo.

A história da cigana que não hesita morrer em nome da liberdade e do amor, permanece um dos mais impressionantes e imutáveis mitos contemporâneos que lidam com a misteriosa natureza da Mulher. Com o passar dos anos, Carmen, revisitada por inúmeros encenadores, ganhou novas facetas e leituras. Porém, perdura o elemento essencial: Carmen, a anti-heroína fatal é o centro inflexível de todas as versões.

Carmen regressa a São Carlos, agora na encenação de Calixto Bieito, que já encenou óperas de Verdi (entre as quais Macbeth e La traviata), Mozart, Wagner, Puccini, entre outros, nas mais prestigiadas casas de ópera do mundo

“Do meu ponto de vista, esta ópera trata de limites, de fronteiras físicas e emocionais entre as pessoas, lida com a liberdade, com o amor e a violência, com a dor, desespero e solidão”, diz o encenador catalão.

“Carmen é uma jovem enquadrada por uma vida difícil na qual terá de sobreviver. É intuitiva, espontânea, apaixonada, melancólica e sensível, uma jovem que deseja sorver a vida, inserida numa sociedade violenta e perigosa. A ‘minha’ Carmen não é típica, folclórica, ou oriunda de uma coleção de  gravuras estereotipadas da velha Espanha. É uma Carmen que atravessa a fronteira”, acrescenta Calixto Bieito.

A Carmen de Bieito desenrola-se numa Espanha pós-franquista na cidade autónoma de Ceuta, o antigo entreposto comercial mediterrânico situado na costa norte de África. De acordo com Joan Anton Rechi, o responsável pela reposição, Calixto “queria um elevado grau de realismo para ilustrar um universo rebelde e cruel repleto de paixões e virilidade primária” e observa que a produção é mais fiel ao naturalismo áspero e cru da novela original de Mérimée do que aquele adaptado pelos co-libretistas de Bizet.

Com um elenco cujos principais cantores se estreiam em São Carlos. destaca-se o meio-soprano lituano Justina Gringyte, reconhecido por ter interpretado com sucesso o papel de Carmen em várias produções e cuja interpretação foi descrita por Mark Valencia (“What’s on Stage”) como “fabulosa”: “irresistível porém impenetrável, voluptuosa porém vulnerável com uma cativante sensualidade na sua voz cheia de meio-soprano”.

Lukhanyo Moyake, o tenor sul-africano que interpreta o papel de Don José, venceu este ano o Emmerich Smola Förderpreis, na Alemanha.

Depois de, em 2015, ter vencido o Metropolitan Opera National Council Auditions, Nicholas Brownlee foi vencedor do concurso de Canto Hans Gabor Belvedere e do Prémio Zarzuela/Operalia, ambos este ano, e entra agora na sua última temporada como jovem artista do programa Domingo-Coblum-Stein da Ópera de Los Angeles.

Do restante elenco, destaque para os papéis interpretados por Tiago Matos  (Dancaïre), Carlos Guilheme (Remendado), Joana Seara (Frasquita), Carla Simões (Mercédès) e Diogo Oliveira (Moralès).

Para além dos corpos artísticos do Teatro Nacional de São Carlos – o Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa – a produção conta ainda com a participação do Coro Juvenil de Lisboa.

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