Cinema: O que seria de Paris sem o Museu do Louvre?

Aleksandr Sokurov propõe-nos uma curiosa reflexão sobre a relação entre a arte, o poder e a cultura, num filme onde a linguagem documental e a ficcional caminham lado a lado. O ponto de partida é a ocupação nazi de Paris, em 1940, e o perigo provocado pelos bombardeamentos à Vénus de Milo, à Mona Lisa ou à Jangada da Medusa, tesouros artísticos da Humanidade guardados no Museu do Louvre. O que aconteceria a Paris em o Louvre?

É aqui que “Francofonia” conjuga uma versão documental com outra ficcional, até do domínio do fantástico, se quisermos olhar dessa forma para a presença de Napoleão a apreciar as pinturas com os seus feitos históricos, ou a narração feita por Marianne, a figura feminina representativa da república  francesa.

A história centra-se em duas personagens reais, dois homens que estão de lados opostos – Jacques Jaujard, diretor do Louvre, e o coronel Franz Wolff-Metternich, chefe da comissão alemã para a proteção das obras de arte em França – que se aliam para preservar os tesouros do museu.

Filme carregado de simbolismo – como já o havia sido a “Arca russa”, onde Sokurov percorreu os corredores do Museu do Hermitage, em São Petersburgo, num olhar ácido sobre a Rússia – “Francofonia” expõe em imagens documentais alguns traços do colaboracionismo parisiense com o invasor alemão, um tema ainda hoje fraturante na sociedade francesa.

Texto | Luís Godinho

 

Título original: Francofonia (2015)

Realizador: Aleksandr Sokurov

Atores: Louis-Do de Lencquesaing, Vincent Nemeth, Benjamin Utzerath, Johanna Korthals Alte

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