Centro Nacional de Cultura atribui prémio europeu a Wim Wenders

Wim Wenders é o vencedor da edição de 2017 do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural. O cineasta, produtor, fotógrafo e autor alemão foi distinguido pelo seu contributo excecional para a comunicação da história multicultural da Europa e dos ideais europeus. A cerimónia de entrega do prémio está marcada para 24 de outubro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Por ocasião do 5.º aniversário do Prémio, que homenageia a ativista cultural e eurodeputada portuguesa Helena Vaz da Silva, o júri também concedeu um reconhecimento especial à deputada italiana no Parlamento Europeu Sílvia Costa, pelo seu contributo notável para o desenvolvimento da estratégia da União Europeia sobre o património cultural e para a promoção do Ano Europeu do Património Cultural 2018.

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património que o CNC representa em Portugal, e o Clube Português de Imprensa, distingue contribuições excecionais para a proteção e divulgação do património cultural e dos ideais europeus. Conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Segundo Maria Calado, presidente do Centro Nacional de Cultura, Wim Wenders “é não apenas uma figura chave do cinema contemporâneo Europeu mas também um defensor acérrimo da Europa através do seu rico património cultural”.

“Ao longo de 50 anos de carreira, ele tem sido um mestre na procura de imagens e palavras para capturar o sentido de lugar na Europa. O Júri apreciou em particular a forma original como Wenders consegue dar vida aos valores e ideais europeus e promovê-los além-fronteiras através do seu trabalho prolífico, que abrange filmes inovadores, exposições fotográficas, monografias, livros de filmes e coleções de prosa”, acrescenta.

Por sua vez, Wim Wenders afirma estar “profundamente grato por este prémio porque me identifico com os princípios que lhe estão subjacentes.  A Europa é uma utopia em curso, construída, mais do que por qualquer outra coisa, pelo seu legado cultural”.

“Temos de continuar a construir o nosso futuro comum, mas, nesse processo, não podemos deixar esquecida a preservação do nosso passado.Os meios de comunicação digital tornam a essa comunicação muito mais rápida, mas são igualmente rápidos a incitar ao esquecimento. Porém, esses meios ajudam-nos também a armazenar e a preservar as nossas preciosas lembranças de forma duradoura e eficaz, como acontece no reino do cinema, por exemplo”, sublinha o cineasta.

Wenders tem sido convidado pela Comissão Europeia e pelo Parlamento Europeu para participar em diversos debates sobre assuntos europeus da atualidade, tendo igualmente contribuido para a iniciativa “Uma Alma para a Europa”, que conecta cidadãos e instituições democráticas em toda a Europa com o objetivo de promover o sentido de responsabilidade pelo futuro da Europa e pela democracia através da cultura.

O cineasta alemão, juntamente com sua esposa Donata, criou a Fundação Wim Wenders em Düsseldorf em 2012. Com o estabelecimento da Fundação, pretendeu-se criar um quadro juridicamente vinculativo para reunir o trabalho cinematográfico, fotográfico, artístico e literário de Wenders no seu país natal e torná-lo acessível de forma permanente ao público de todo o mundo. Todas as receitas são utilizadas para financiar o objetivo central da Fundação: a promoção de artes e cultura, não só através do restauro, disseminação e preservação do trabalho de Wenders, mas também através do apoio a jovens talentos no campo do cinema.

Este Prémio Europeu que tem o nome de Helena Vaz da Silva (1939- 2002) recorda a jornalista portuguesa, escritora, ativista cultural e política, e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. É atribuido anualmente a um cidadão europeu cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O escritor italiano Claudio Magris foi o primeiro laureado, em 2013; o escritor turco e Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk foi distinguido em 2014; o músico catalão Jordi Savall foi premiado em 2015; o cartonista francês Jean Plantureux, conhecido como Plantu, e o ensaísta português Eduardo Lourenço venceram ex aequo a edição de 2016 do Prémio

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