Correspondências de Sophia e Jorge de Sena em competição no Doclisboa

Já foi apresentada a programação do Doclisboa – Festival Internacional de Cinema, a decorrer de 20 a 30 de outubro e com “Correspondências”, o último filme de Rita Azevedo Lopes exibido este ano em Locarno, a disputar a competição internacional, com mais 17 documentários.

O filme inspirou-se nas cartas trocadas entre dois poetas portugueses, Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena, que testemunham a sua demanda de liberdade durante um período em que o regime fascista português esteve sob pressão crescente.

Na competição portuguesa estarão nomes como Marília Rocha, Pedro Neves, Cláudia Varejão, André Marques, Cláudia Rita Oiiveira, Miguel Faro, Ida Marie Sørensen, Joana Linda, Mário Macedo, Patrícia Pinheiro de Sousa, Edgar Pêra e Luciana Fina.

O Doclisboa terá este ano uma nova secção, Da Terra à Lua, que traz os mais recentes filmes de realizadores chave do panorama documental, numa viagem onde se coloca em perspetiva o nosso presente colectivo, nos seus diferentes lugares, e onde serão mostradas as mais recentes obras de realizadores como Wang Bing, Avi Mograbi, Werner Herzog e Rithy Panh, entre outros.

Na secção Riscos destaca-se a homenagem a Peter Hutton, realizador experimental americano recentemente falecido, num programa assinado por Luke Fowler e Rinaldo Censi. Luke Fowler, candidato ao Turner Prizer em 2012, será também alvo de uma incursão pelos seus filmes.

No Cinema de Urgência destaca-se a sessão com a presença da Mídia Ninja, conhecido pelo ativismo político e que se assume como uma alternativa à imprensa tradicional.

Organizar a programação de forma mais clara, “para que cada secção do festival encontrasse o seu próprio jogo, a sua vida interna, simultaneamente clarificando também as suas relações com o todo do programa” foi, nas palavras Cíntia Gil e Davide Oberto, da direção do festival, uma das apostas para a edição deste ano.

“Procurámos, como em todas as edições, compreender em que ponto está e como opera hoje o cinema do real, e qual a relação do Doclisboa com o mesmo — qual o seu campo específico de ação”.

“Neste duplo caminho, compreendemos que o elemento fundamental de relação entre o real e o aqui e agora do Doclisboa é, sobretudo, a potência imaginativa do cinema, a sua capacidade de transformar os factos do mundo num mundo indeterminado de facto, pronto a ser reinventado e experimentado como jogo de possíveis”, acrescentam.

Este ano o Festival continua a estar presente em toda a cidade de Lisboa, da Culturgest ao cinema São Jorge, da Cinemateca Portuguesa à Fundação Calouste Gulbenkian. Mais uma vez, o mundo em Outubro cabe todo em Lisboa.

 

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