Cozinha dos monges beneditinos em livro

Depois de uma longa investigação sobre os ritmos alimentares dos monges beneditinos de Tibães, o Mosteiro de Tibães, monumento afecto  à Direção Regional de Cultura do Norte, passou toda essa informação para livro e iniciou um caminho de reconstituição de algumas receitas que o tempo fez esquecer.

Primeiro foi criada a marca Sabores Beneditinos. Depois foram reconstituídas receitas de doces de ovos, como as viúvas e os ovos reais; doces de fruta, como a cidrada, a perada, a pessegada e o marmelo aos quartos; biscoitos, pastilhas e pickles, como o de perrexil.

O projeto fez renascer algumas plantas quase extintas e levou ao cultivo na quinta do Mosteiro de Tibães de mostarda e rábano. A primeira para  aromatizar um azeite. O rábano para  fazer mais um pickle.

A cozinha dos monges foi também passada a livro: “Alimentar o Corpo e Saciar a Alma: Ritmos Alimentares dos Monges de Tibães no Século XVII”, da autoria de Anabela Ramos e Sara Claro.

O trabalho em conjunto surgiu a partir de um manuscrito do século XVII que as duas autoras investigavam no Arquivo Distrital de Braga.

“O nosso objectivo foi ligar o manuscrito à alimentação dos monges em Tibães. Queríamos perceber em que medida é que este receituário estava relacionado ou não com a alimentação dos monges de Tibães, isto porque este receituário integrava o espólio da livraria do Mosteiro”, contou Anabela Ramos.

Segundo Sara Claro, trata-se de um dos primeiros receituários existentes em Portugal, que desvenda “uma cozinha mais quotidiana, não da elite”. “Uma cozinha que se adequa muita à cozinha monástica e clerical”, explica Anabela Ramos.

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