Egito acusado de violar Direitos Humanos

Giulio Regeni, 28 anos, realizava uma investigação sobre os sindicatos no Egipto para o seu doutoramento quando desapareceu a 15 de janeiro de 2016. O seu corpo, com sinais de tortura, foi encontrado nove dias mais tarde no Cairo. Os meios de comunicação e ativistas dos direitos humanos afirmaram suspeitar do envolvimento das forças de seguranças egípcias, situação que foi negada pelas autoridades do país. O PE debateu e votou uma resolução de urgência sobre a situação.

O Egito é considerado um parceiro estratégico da União Europeia. Mas o Parlamento Europeu tem repetidamente expressado a sua preocupação face às restrições dos direitos fundamentais, pluralismo e o Estado de direito nos país.

“O Parlamento já se manifestou várias vezes sobre a situação no país nos últimos meses através de diferentes resoluções de urgência. O respeito pelos direitos humanos é o princípio fundamental nos compromissos internacionais entre a UE e o Egito”, explica a eurodeputada espanhola do S&D Elena Valenciano, presidente da subcomissão dos Direitos do Homem.

Os eurodeputados pediram às autoridades egípcias para levar a cabo uma investigação imparcial e independente à morte de Giulio Regeni, para identificar e julgar os responsáveis.

Várias organizações da sociedade civil têm chamado a atenção para o aumento do número de casos de alegações de tortura de pessoas sob custódia polícial e do número de desaparecimentos forçados no Egito.

“O caso de Giulio Regeni é apenas mais um exemplo horrível e cruel da situação dos direitos humanos cada vez mais preocupante no Egito”, explicou Elena Valenciano.

“Serve para nos lembrar que o respeito pelos direitos humanos deve estar na base das nossas relações com o Egito. As nossas resoluções de urgência focam-se frequentemente em casos individuais, onde esperamos fazer a diferença. Mas também nos permitem enviar um sinal para os países envolvidos para darem prioridade à proteção e à promoção dos direitos humanos e assegurar que os autores de violações dos direitos humanos são responsabilizados”, acrescentou o eurodeputado romeno do PPE Cristian Dan Preda e vice-presidente da Subcomissão dos Direitos do Homem.

 

Egito nega envolvimento

As autoridades egipcias afirmam, por sua vez, que há “terroristas” por trás da morte do italiano Giulio Regeni, que têm como objetivo criar tensões diplomáticas entre os dois países.

O investigador desapareceu no Cairo no dia 25 de janeiro e foi encontrado morto nove dias depois numa fossa, com sinais de tortura.

Os resultados parciais da autópsia revelam que Regeni sofreu choques elétricos no pénis, uma hemorragia cerebral e que tinha sete costelas partidas. Fontes envolvidas na investigação confirmaram que o estudante foi torturado. Mas o relatório final do exame forense ainda não foi divulgado.

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