História, a grande mestra da humanidade no FEA

“Vantagens e Desvantagens da História para a Vida”, exposição que propõe um ensaio sobre a nossa relação com a história e o património e “Habitar Portugal 12-14”, mostra que reúne uma seleção de 80 projetos de arquitetura contemporânea, são as duas novas exposições patentes ao público no Fórum Eugénio de Almeida, em Évora.

“Vantagens e Desvantagens da História para a Vida” surge no seguimento da mostra “Todo o Património é Poesia” e encerra a reflexão que o Fórum Eugénio de Almeida dedicou neste ano ao 30º aniversário de Évora Património da Humanidade pela Unesco. Esta exposição propõe um ensaio sobre a nossa relação com a história a partir de obras de instituições culturais de Évora e do seu cruzamento com obras de arte contemporânea.

Partindo de um texto do filósofo Friedrich Nietzsche, o curador Paulo Pires do Vale propõe um olhar para a história como a grande mestra da humanidade, focando a atenção na necessidade de a preservar, na imensidão dos seus vestígios fragmentados e na perda e ausência a que dá origem.

Sugere igualmente uma reflexão sobre o instante, sobre a importância do esquecimento e renascimento e sobre o papel ativo do espetador do presente.

As obras históricas cruzam-se com obras contemporâneas, algumas das quais apresentadas pela primeira vez numa exposição, como são exemplo as fotografias de João Cutileiro tiradas no início dos anos 60 para ilustrar a primeira edição do livro Ricos e Pobres no Alentejo, de José Cutileiro.

De referir ainda a instalação Entrevidas da artista Anna Maria Maiolino, uma das artistas mais relevantes da arte brasileira contemporânea, e a instalação sonora One Million Years do artista japonês On Kawara, ambas apresentadas pela primeira vez em Portugal.

A exposição reúne ainda, entre outras, obras como a Ambiente (Sala de Jantar) de Ana Vieira, primeira de uma série de três instalações Ambientes que a artista produziu entre 1971 e 1972, a escultura Nossa Senhora do Ó de João Cutileiro, uma instalação de José Pedro Croft, uma instalação de livros comidos pelo bicho da traça de Carla Filipe, relógios vários provenientes do Museu do Relógio e a pintura Natureza Morta com Cardo e Marmelo e Laranja de Josefa de Óbidos, proveniente do Museu de Évora.

Por sua vez, “Habitar Portugal 12-14”, uma coprodução do Fórum Eugénio de Almeida com a Ordem dos Arquitetos, pretende ser um olhar sobre a produção arquitetónica portuguesa do último triénio (obras concluídas entre 1 de Janeiro de 2012 e 31 de Dezembro de 2014).

A mostra reúne uma seleção de 80 projetos de arquitetura contemporânea – 70 obras distribuídas pelo território nacional, incluindo Ilhas, e 10 obras construídas por arquitetos de Portugal no estrangeiro – e visa refletir sobre o tema “está a arquitetura sob resgate?”.

Comissariada pelos arquitetos Luís Tavares Pereira, Bruno Baldaia e Magda Seifert, “Habitar Portugal 12-14” apresenta ainda um conjunto de filmes sobre os sete projetos selecionados na região de Évora e um diálogo com fotografias da série “Melancholia Studies” da autoria de Nuno Cera que o fotógrafo realizou em Espanha, no distrito de Castilla La Mancha.

Uma série que, segundo o autor, poderia ter sido feita em Portugal sobre troço abandonado da via férrea Sines-Espanha que deixou o percurso pontuado com improváveis estruturas de betão inacabadas.

A programação paralela da mostra compreende conferências, um ciclo de cinema e visitas aos projetos selecionados da região de Évora e debates públicos pelos comissários e convidados locais.

 

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