Jessica Rivera no CCB

Jessica Rivera, soprano internacionalmente reconhecida que protagonizará a próxima ópera da temporada lírica de São Carlos, interpreta seis canções de Richard Strauss, complementadas por um programa sinfónico com obras de Johannes Brahms e de Ottorino Respighi (a partir de uma peça para órgão de Johann Sebastian Bach). Dia 20 de março, às 17 horas, no Centro Cultural de Belém.

O programa inicia-se com o arranjo para orquestra da Passacaglia e Fuga em Dó menor, BWV 582, de J. S. Bach (1685-1750), realizado pelo compositor italiano Ottorino Respighi (1879-1936), concluído em 1930. A transcrição de Respighi é especialmente rica no modo como interpreta a partitura original para órgão.

Sobre a obra original de Bach sabe-se que foi composta, possivelmente, no início da sua carreira, antes de ter assumido funções em Weimar. Várias fontes analisadas situam a data provável de composição entre 1706 e 1713, quando se encontrava em Arnstadt.

Na senda dos grandes orquestradores pós-românticos, Richard Strauss (1864-1949) distingue-se como uma das figuras de proa, tendo explorado as possibilidades expressivas da orquestra em diferentes géneros, desde a Sinfonia, Poema Sinfónico, Lied e Ópera.

De entre os vários géneros a que se dedicou, destacam-se os Lieder, que compôs ao longo de toda a sua vida, procurando inovar nas dimensões dramática, lírica e instrumental.

Das 4 canções op. 27, compostas em 1894, pouco antes do seu casamento com o soprano Pauline de Ahna, e oferecidas como prenda à sua amada, constam 3 neste programa. Por outro lado, Meninem Kinde op. 37, n.º 3, escrita em 1897, integra um conjunto de seis canções, compostas pela ocasião do nascimento do seu filho Franz Alexander Strauss,

As canções para piano de Richard Strauss, orquestradas pelo próprio, escritas entre 1885 (Zueignung) e 1898 (Meinem Kinde) e que são exemplos sublimes da arte vocal tão cara a Strauss.

No campo da produção sinfónica, Johannes Brahms (1833-1897) destaca-se como uma das mais importantes figuras do seu tempo. O interesse pelo género sinfónico, em particular a admiração pelas sinfonias de Beethoven, foi relevante para o modo como o compositor iniciou o esboço do que seria a sua Sinfonia n.º 1, op. 68, ainda no início de 1850.

Brahms levaria quase 16 anos a concluir a Sinfonia n.º 1, estreada a 4 de novembro de 1876, sob a batuta de Otto Dessoff, em Karlsruhe, à época Grão Ducado de Baden. As críticas foram positivas e realçaram o intimismo da textura orquestral, quase camerístico, assim como a relação com o legado de Beethoven

 

Inteligência e espiritualidade

Descrita pelo San Francisco Chronicle como possuidora de “uma mistura admirável de timbre quente com uma profunda e precisa emotividade”, Jessica Rivera combina, de forma única, versatilidade, inteligência e espiritualidade com uma sonoridade plena de alma e brilho que continuamente a levam a estar presente nos palcos mais importantes do mundo.

Com uma próspera carreira internacional, Jessica Rivera é frequentemente solicitada a desempenhar, por mais que uma vez, papéis de repertório clássico e contemporâneo. Interpretou papéis principais em óperas de compositores como John Adams e Osvaldo Golijov, e participou em estreias mundiais, de obras de Gabriela Lena Frank, Paola Prestini, Jonathan Leshnoff, Chris Theofanidis e Nico Muhly.

Apresentou-se em importantes palcos e com prestigiantes orquestras mundiais e colaborou com notáveis maestros como Sir Simon Rattle, Gustavo Dudamel, Michael Tilson Thomas, Esa-Pekka Salonen, Bernard Haitink, Joana Carneiro e Robert Spano.

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