Mulheres na República em série de livros juvenis

 

Carolina Beatriz Ângelo ou Adelaide Cabete não serão, propriamente, nomes de mulheres conhecidas da maioria dos portugueses. Mas elas, como tantas outras, tiveram um papel decisivo na luta pela implementação dos valores republicanos. A história destas e de mais quatro mulheres “de armas” foram a inspiração para uma série de livros juvenis intitulada “As Mulheres e a República”, da autoria de Rosabela Afonso.

Segundo a autora, a coleção visa “homenagear estas figuras femininas da nossa História, frequentemente esquecidas, porque muito se fala dos feitos heroicos de alguns homens e raramente se refere o trabalho das mulheres que estiveram envolvidas nas mesmas causas”.

Rosabela Afonso quer ainda, através dos exemplos apresentados, “motivar os jovens de hoje para o exercício de uma cidadania ativa e participativa”. “Sem dúvida que é através do exemplo a melhor forma de ajudar a crescer e a estruturar os adultos de amanhã”, refere, em entrevista exclusiva à SW Portugal.

 

SW – De que tratam estes seis volumes?

Rosabela Afonso (RA) – Cada um aborda, de forma simples, resumida e ilustrada, a biografia de uma mulher que tenha contribuído de forma empenhada para os valores republicanos, como Carolina Beatriz Ângelo, Adelaide Cabete, Maria Veleda, Ana de Castro Osório, Angelina Vidal e Emília Sousa Costa, as quais estavam, afinal, unidas por uma preocupação comum: a busca de um mundo novo e melhor, a procura de um caminho para a felicidade. Muito se fala dos feitos heroicos de alguns homens e raramente se refere o trabalho das mulheres que estiveram envolvidas nas mesmas causas.

 

SW – São livros destinados aos jovens…

RA – Sim. É importante motivar, através dos exemplos aqui apresentados, os jovens de hoje para o exercício de uma cidadania ativa e participativa. Sem dúvida que é através do exemplo a melhor forma de ajudar a crescer e a estruturar os adultos de amanhã.

 

SW – Sendo livros para jovens todos eles têm ilustrações…

RA – As ilustrações foram feitas pela Carmo Pólvora (volumes 1, 3 e 5) e pela Sara Afonso (volumes 2, 4 e 6).

 

SW – Como é que surgiu a ideia de escrever estes seis livros?

RA – A ideia nasceu em 2010, aquando do centenário da República. Os dois primeiros volumes foram editados em 2011, pela Salamandra, com os apoios institucionais da Comissão para as Comemorações do Centenário da República e da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, com prefácio da então secretária de Estado para a Igualdade. Com a crise a editora faliu. Entretanto a editora Letras Lavadas, dos Açores, interessou-se e retomei os contactos. O Instituto Camões gostou muito do trabalho apresentado e apoiou. a Secretaria de Estado para a Igualdade idem, sendo que o prefácio é da atual secretária de Estado para a Igualdade e diversas câmaras municipais também encomendaram coleções para as suas bibliotecas e escolas.

 

Texto: Ana Luisa Delgado

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