Música: Rogério Charraz, sem medo do escuro, em digressão nacional

“Não tenhas Medo do Escuro” é o título do último álbum do cantor Rogério Charraz, que pode ser escutado em várias salas de espetáculo por todo o país. Trata-se de um trabalho mais simples e orgânico que os anteriores, como explicou o músico em entrevista exclusiva à Sudoeste Portugal (SW). O próximo concerto será dia 28, no Pax Julia, em Beja.

 “É o meu terceiro disco, um pouco mais simples e orgânico que os anteriores, na medida em que as canções sofreram menos transformações entre o momento da composição e o resultado final da gravação”, refere o músico, referindo tratar-se de um trabalho “mais autêntico” mas sem deixar de se identificar com os discos anteriores.

 

SW – Como é que nasceu este trabalho?

Rogério Charraz – Nasceu no Verão passado, quando fiz a primeira canção (que é também a primeira do alinhamento): “Medo do Escuro”. Gostei muito do resultado e da sonoridade dela, e mais ainda da mensagem que a letra do José Fialho Gouveia contém – não fiques assim de cara triste, o que dói nunca resiste até mais não, e nada cai mais fundo do que o chão! Acho que era uma mensagem apropriada ao meu momento e ao do País…

 

SW – Este álbum tem como convidados Júlio Resende, Katia Guerreiro, Marta Pereira da Costa, João Gentil, os irmãos Buba e Eduardo Espinho e António Caixeiro. Como é que surgiu a ideia de os convidar?  

RC – Teve a ver com duas coisas: com o facto de ser admirador de cada um deles (pessoal e profissionalmente) e com o contexto de cada uma das canções. No caso do Júlio uma canção sobre a minha mãe, a pedir muita sensibilidade, delicadeza e “intimismo”. No caso da Katia e da Marta a ligação da canção ao Fado e o facto dela “pedir” a sensibilidade feminina. O João Gentil trouxe o seu acordeão a uma “Festa da Aldeia” e no caso dos cantadores Espinho e Caixeiro, o facto da canção ter uma forte ligação ao Alentejo (como eu próprio).

 

SW – O que é há de diferente neste álbum comparativamente a “Espelho”?  

RC – Curiosamente este disco só tem uma letra minha, ao contrário dos anteriores que tinham metade das letras da minha autoria. O facto de ter encontrado vários escritores de letras talentosos e com quem muito me identifico, fez com que não sentisse necessidade de usar as minhas próprias palavras. O José Fialho Gouveia tem um papel importante, já que assina metade das letras do disco (e as mais tocadas na rádio), a Filipa Martins e a minha mulher Joana estreiam-se de forma brilhante e a Maria Ermelinda Morgado é a única repetente, já que me acompanha desde “A Chave”.

 

SW – Atualmente encontra-se em digressão. Como é que tem corrido este périplo por Portugal?  

RC – Estamos ainda no começo, esperando ainda juntar datas às já anunciadas. O balanço é muito positivo, já que temos juntado novo público aos que já nos acompanham nos últimos anos…

 

SW – Já está a preparar o próximo trabalho?

RC – Já tenho algumas canções feitas, e tenho na cabeça um projecto que será conceptual e um pouco à margem do meu percurso. Projecto esse que só deverá concretizar-se em 2018, mas estamos a preparar novidades para o início do próximo ano.

Texto: Ana Luísa Delgado | Fotos: D. R.

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *