Namorada de Pessoa evocada em Lisboa

A Câmara Municipal de Lisboa vai evocar Ofélia Queiroz no dia 14 de fevereiro, Dia dos Namorados. Segundo a autarquia, a evocação assinala a trasladação dos restos mortais da namorada de Fernando Pessoa para o CeBibliotecamitério dos Prazeres, evento que contará com as presenças do padre José Tolentino de Mendonça e do filósofo e ensaísta Eduardo Lourenço, entre outros.

Nascida em Lisboa em junho de 1900, Ofélia apenas concluiu o primeiro grau da instrução, embora desejasse ser professora de matemática. Em casa do sobrinho, o poeta Carlos Queirós, conviveu com artistas como Carlos Botelho, Vitorino Nemésio, Almada Negreiros, Teixeira de Pascoaes, José Régio, entre outros.

Fcou célebre por ter sido a única namorada conhecida do poeta Fernando Pessoa, que lhe escreveu 48 cartas publicadas em 1978 e precedidas de um texto explicativo da própria Ofélia (testemunho sóbrio e modesto mas muito precioso, dado que é tudo aquilo que tornou público) e das cartas dela para ele, publicadas pela sua sobrinha em 1996.

Em 2013 foi mesmo publicado um livro com a “correspondência amorosa completa” entre Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz, coordenado por Richard Zenith, que permite traçar uma “cronologia precisa” desse relacionamento.

Além desta correspondência, apenas existem testemunhos isolados, demasiado vagos e escassos que recriem ou relembrem este amor. Nem mesmo dos familiares ou amigos mais próximos, porque foi uma relação levada com a máxima discrição e nunca se oficializou.

A relação começou quando Pessoa conhece a jovem, na altura com 19 anos, nos escritórios da Baixa lisboeta, onde ela entra para trabalhar como datilógrafa e ele já exercia os seus serviços como tradutor de correspondência comercial. Um ano depois, a 20 de novembro de 1920, o poeta encerra o namoro por carta: “”O amor passou… O meu destino pertence a outra Lei, cuja existência a Ophelinha ignora, e está subordinado cada vez mais à obediência a Mestres que não permitem nem perdoam…”

Dez anos depois voltam a reencontrar-se. Desse período resulta uma segunda série de cartas de amor numa relação que dura poucos meses.

Ofélia seguiu sua vida. A partir de 1936 e até 1955 trabalhou no Secretariado Nacional de Informação (SNI) onde conhece o teatrólogo Augusto Soares, um homem de teatro, com quem se casa em 1938, três anos após a morte de Fernando Pessoa

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