Nobel da Paz “premeia” fim da guerra na Colômbia

O prémio Nobel da Paz foi concedido ao presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pelos seus esforços para pôr fim à guerra civil no país, que durou mais de 50 anos e matou pelo menos 220 mil colombianos.

“Agradeço infinitamente e de coração essa honrosa distinção. Eu a recebo não em meu nome, mas em nome de todos os colombianos, em especial aos milhões de vítimas que deixou este conflito que temos sofrido há mais de 50 anos”, disse o presidente colombiano numa reação à decisão do Comité do Prémio Nobel.

“Este prémio é dos colombianos. É pelas vítimas e para que não haja uma só vítima mais, um só morto mais. Devemos nos reconciliar e nos unir para terminar esse processo e começar a construir uma paz estável e durável”, acrescentou José Manuel Santos, segundo o qual o prémio, no valor de cerca de 830 mil euros, será doado para ajuda às vítimas da guerra no país.

Assinado em final de Agosto entre o Governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o acordo de paz levou ao compromisso do grupo de guerrilha em abandonar as armas transformando-se num partido político.

No entanto, como assinala a Agência Brasil, a amnistia e a forma de punição a ex-guerrilheiros por crimes antigos, determinadas nas negociações, geraram o descontentamento de parte da população colombiana que rejeitou o acordo num referendo realizado no último domingo.

Ao anunciar a escolha deste ano, Comité do Prémio Nobel destacou os esforços do presidente José Manuel Santos para chegar ao acordo e colocar fim a um conflito de mais de meio século no país, sendo que diversos analistas assinalam tratar-se de um “incentivo” à prossecução dos esforços para a paz no país.

“Esta é uma mensagem oportuna para todos que se dedicaram arduamente pela paz – para o governo da Colômbia, para as FARC, para todas as forças sociais e políticas que expressaram seu desejo pela paz, para a sociedade civil e, em particular, para as vítimas, que estão levando adiante o caminho em direção a uma reconciliação nacional. Este prémio diz-lhes que devem continuar a trabalhar até levaram o processo de paz a uma conclusão bem-sucedida”, afirmou Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas.

“Cumprimento as declarações de todas as partes envolvidas de que estão comprometidas com a paz e com o cessar-fogo e que os líderes conduzam o diálogo com pragmatismo focados no desejo do povo colombiano de paz”, acrescentou.

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