Rogério de Carvalho leva Rei Lear ao palco do CCB

Uma peça sobre a desintegração de um mundo em que a cegueira é visão e a loucura é sabedoria. “Rei Lear”, um clássico de William Shakespeare encenado por Rogério de Carvalho, é a proposta do Centro Cultural de Belém para dias 8 e 9 de setembro às 21h00. É uma peça que nos diz coisas explosivas sobre o amor, o poder e a justiça, individual e social. Lear começa por pensar que o poder é ilimitado e divide-o pelas suas três filhas. Mas acaba por descobrir que a única coisa verdadeiramente ilimitada é o sofrimento, que cala fundo em quase todos nós, pois os tormentos do conflito entre pais e filhos são inevitavelmente universais.

Diz-se, com razão, que em “Rei Lear” há destroços humanos que encontram de novo a sua humanidade. Mas este resgate não significa redenção, significa apenas que eles se recusam a aceitar o sofrimento, a tortura e a morte. Quando entra Lear com Cordélia morta nos braços, alguém notou que até Shakespeare parece ficar mudo perante esta morte, e vão ser os balbucios de um velho louco a fazer o elogio da filha “amada e esquecida”.

O ator Jorge Pinto é Lear, depois de ter sido Cláudio num Hamlet encenado por Ricardo Pais em 2002. No ano do quarto centenário da morte de Shakespeare, o Ensemble regressa a um autor que nos escreve de um tempo “em que loucos guiam cegos”, agora na companhia do encenador Rogério de Carvalho, outro mestre sábio e intranquilo.

Trata-se de uma produção do Ensemble, uma unidade de produção e investigação teatral lançada em 1996 por um grupo de atores e professores portuenses. Para além das produções próprias, o grupo trabalhou desde o início em parceria com os Teatros Nacionais D. Maria II e São João, o Rivoli – Teatro Municipal, e outras estruturas do Porto, Lisboa e Viseu. O seu espetáculo “O Avarento”, de Molière, dirigido por Rogério de Carvalho, foi considerado “Espectáculo de Honra” no Festival de Almada 2011.

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