Tabernas que aliam gastronomia ao Cante alentejano

É nas tabernas que o Cante alentejano, aliado à boa gastronomia da região, ganha maior imponência. Verdadeiros locais de culto, as tabernas tradicionais aliam o Cante à gastronomia alentejana. Eis três “templos” onde se canta bem e se come melhor.

 

ADEGA DO PAÍS DAS UVAS (Vila de Frades)

No País das Uvas almoça-se ou janta-se por entre talhas de barro, as mesmas que servem para fazer vinho como no tempo dos romanos. Nesta adega, que fica em Vila de Frades, terra natal do escritor Fialho de Almeida, o fabrico de vinho decor­re de forma tradicional, sobretudo o do palhe­to, feito a partir da fermentação de uvas bran­cas e tintas em enormes potes de barro. O vi­nho escorre das talhas. E à mesa acompanha dezenas de sugestões, do ensopado de borre­go ao feijão com cardos, passando pelas silar­cas – cogumelo silvestre muito raro e aprecia­do na região – e pelas migas de espargos com carne de alguidar.

Num espaço onde António Honrado e Jacinta Penas recebem visitantes de todo o país e do estrangeiro com a bonomia típi­ca do Alentejo, também é frequente ouvir-se o cante alentejano, de forma improvisa­da quando se reúne um grupo de amigos, ou de forma mais organizada em ocasiões especiais. Algumas talhas de barro exibem frases, escritas em várias línguas, de visi­tantes a quem a experiência da gastronomia e do cante deixou marcas que perduram para a vida.

Tel.: 284441023

 

TABERNA DOS PAPA BORREGOS (Alvito)

Um dos segredos mais bem guardados de Al­vito fica na Rua das Pereiras. É ali a sede dos Papa Borregos, nome pelo qual é conhecida a Associação do Grupo de Cante Alentejano de Alvito. O grupo nasceu de forma espontâ­nea após o 25 de Abril. E porque gostavam de um bom prato de borrego após uma sessão de cantorias, acabaram por ganhar a alcunha que exibem com orgulho no estandarte.

O ensaio é às sextas, mas há cante todos os dias. «Há sempre três ou quatro elementos do grupo por ali e acabam por entoar uma moda», garante Luís Beguino, responsável da associa­ção, sublinhando que a ideia é promover não só o cante como a gastronomia e a cultura da região.

Quanto à gastronomia, pode contar -se com torresmos, cabeça de borrego assada ou feijão com carrasquinhas – erva aromática muito apreciada no concelho. Vamos então à cultura: a taberna onde o grupo ensaia encon­tra-se decorada com alfaias agrícolas, e es­tas não servem apenas para decorar sendo também usadas para fazer queijo e tosquiar ovelhas.

Tel.: 960373394

 

TABERNA DO JOÃO DAS CABEÇAS (Castro Verde)

O homem chama-se João da Encarnação. Mas em Castro Verde todos o conhecem como o João das Cabeças, ou não fosse ele o proprie­tário de um dos mais típicos restaurantes do Campo Branco – cuja especialidade é cabeça de borrego assada no forno de lenha. A casa é centenária. João da Encarnação está à frente do estabelecimento desde 1981 e além da co­mida típica alentejana – quem por lá passar não se esqueça de pedir as queixadas de por­co assadas no forno – tem para oferecer aos visitantes o cante alentejano.

Em matéria de modas, não há dia certo pa­ra se ouvir cantar. É contar com a sorte e espe­rar que por ali apareçam alguns dos clientes habituais, grupos de amigos que se entretêm com a música entre um e outro copo de vinho.

A taberna do João das Cabeças é ponto de visita obrigatório, em particular durante a tra­dicional Feira de Castro. Mas para quem qui­ser ouvir cantar à alentejana em qualquer dia da semana o caminho mais certeiro é procurar informação na Câmara Municipal, que disponibiliza um roteiro sobre os locais on­de ensaiam os oito grupos corais em ativida­de no concelho.

Tel.: 286322317

 

Texto | Luís Godinho

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *