UNICEF: 385 milhões de crianças vivem em pobreza extrema

Cerca de 385 milhões de crianças até os 17 anos de idade viviam em 2013 em situação de pobreza extrema, de acordo com estudo conjunto do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Grupo do Banco Mundial, divulgado em Nova Iorque.

O trabalho conclui que as crianças têm duas vezes mais probabilidades de viver na pobreza extrema do que os adultos, sendo que 19.5% das crianças nos países em desenvolvimento “faziam parte de agregados familiares que sobreviviam” com menos de 1,70 euros por dia comparativamente com 9.2% por cento dos adultos.

“As crianças são afetadas de forma desproporcionada, dado que representam cerca de um terço da população estudada, mas metade dos que vivem na pobreza extrema. O risco é maior para as crianças mais pequenas – mais de um quinto dos menores de cinco anos nos países em desenvolvimento vivem em famílias extremamente pobres”, conclui o estudo.

Segundo Anthony Lake, director executivo da UNICEF, “as crianças não só têm maior probabilidade de viver na pobreza extrema como os efeitos desta lhe causam maiores danos. Elas são as mais prejudicadas entre os mais prejudicados, em especial as crianças mais pequenas porque as privações a que são sujeitas afetam o seu desenvolvimento físico e intelectual”.

”É chocante que metade das crianças na África Subsariana e um quinto das crianças nos países em desenvolvimento estejam a crescer na pobreza extrema. Esta realidade não limita apenas os seus futuros, como se repercute negativamente nas suas sociedades”, acrescenta.

Esta análise vem na sequência da divulgação do novo relatório de referência do Banco Mundial sobre pobreza, que concluiu que em 2013 cerca de 767 milhões de pessoas no mundo viviam com menos de 1,70 euros por dia, metade das quais tinham menos de 18 anos.

“Este número imenso de crianças a viver na pobreza extrema revela uma necessidade urgente de investir especificamente nos primeiros anos de vida – em serviços como os cuidados pré-natais para mulheres grávidas, programas de desenvolvimento para a primeira infância, educação de qualidade, água potável, saneamento adequado e cuidados de saúde universais,” afirma por sua vez Ana Revenga, diretora para os assuntos da pobreza e equidade do Banco Mundial.

“Melhorar estes serviços e assegurar que todas as crianças têm acesso a oportunidades de emprego de qualidade – quando chegar a altura – é a única forma de quebrar o ciclo intergeracional da pobreza que atualmente está tão generalizado”, sublinha.

A estimativa global da pobreza extrema baseia-se em dados de 89 países, que representam 83 por cento da população dos países em desenvolvimento.

A África subsariana tem as mais elevadas taxas de crianças a viver na pobreza, ligeiramente abaixo dos 50 por cento, e a maior parcela de crianças extremamente pobres, ligeiramente acima dos 50 por cento. Segue-se o Sul da Ásia com perto de 36 por cento – com mais de 30 por cento das crianças extremamente pobres a viver na Índia. Mais de uma em cada cinco das crianças na pobreza extrema vivem em zonas rurais.

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