Vinho alentejano considerado o melhor do mundo pela Decanter

Tiago Cabaço cresceu no meio das vinhas, no Monte do Troca Leite, em Santa Vitória do Ameixial, arredores de Estremoz. O pai, Joaquim, dedicou-se ao negócio na década de 80. Primeiro vendia as uvas a outros produtores da região mas depois, em 2001, a mãe, Margarida, decidiu criar uma marca própria, denominada Monte dos Cabaços, cujo primeiro tinto da casta Syrah foi engarrafado dois anos depois.

Por essa altura já o filho, Tiago, tinha trocado os estudos pelas provas de todo-o-terreno, como piloto oficial da Yamaha. Deixou de correr aos 20 anos. Aos 22, em 2004, estava a comprar uvas aos pais para lançar o seu primeiro vinho. Chamou-lhe “.Com”, uma marca com potencial nos mercados internacionais, de fácil memorização e conotação urbana, suficientemente irreverente para gerar a desconfiança entre os mais tradicionais produtores alentejanos. As 80 mil garrafas da primeira edição do “.Com” começaram a ser comercializadas em 2006 e o vinho, claro, tornou-se um produto de moda.

A Tiago Cabaço Winery ganhou estrutura. Surgiu o “.Beb”, uma gama intermédia, e depois o “Blog”, o topo de gama da casa, cuja edição de 2009, já com consultoria da enóloga Susana Esteban, foi distinguida com o prémio Talha de Ouro, atribuído pela Confraria dos Enófilos do Alentejo ao melhor vinho tinto da região. Tiago Cabaço torna-se assim no mais jovem produtor de sempre a conquistar o prémio de maior prestígio no Alentejo.

É um vinho de caráter, que espelha toda as convicções e a personalidade do produtor. Um tinto contemporâneo com toda a tradição dos bons alentejnos: garra, volume, frescura, um longuíssimo final. São características comuns ao “Blog” com rótulo preto e ao de rótulo castanho, um bivarietal feito com as castas Alicante Bouschet e Syrah, cuja edição de 2013 trouxe para Portugal o título de melhor vinho tinto do mundo, conquistado no mais relevante concurso do setor, anualmente organizado pela Decanter.

A concurso estavam 17 200 vinhos. Foram avaliados, em prova cega, por mais de 200 especialistas internacionais, que atribuíram medalhas de bronze, prata e ouro. Depois houve uma nova ronda de avaliações.

De todas as medalhas de ouro escolheram-se os melhores, aos quais foram atribuídas medalhas de platina. Finalmente, foram escolhidos os melhores dos melhores em cada categoria. O “Blog 2013” acabou por ser considerado como o “Best in Show”, ou seja, o melhor tinto de lote a concurso.

A produção é pequena: apenas 9 mil garrafas. O preço, esse, vai disparar: custava até agora cerca de 30 euros; na Garrafeira Nacional já está cotado a 50 euros.

Texto | Luís Godinho

Fotografia | D.R.

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