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A procura do amor em tempo de covid-19. “97 Dias” chega às livrarias

Texto Margarida Maneta

Depois de anos a trabalhar para a administração pública no norte de Itália, Susanna Sioni decidiu mudar de vida. Primeiro o Brasil, depois Porto Covo, na costa alentejana, a terra a que chama “lar”. A pandemia e o confinamento levaram-na a “soltar” o lado criativo. “97 Dias”, o seu primeiro romance, chega agora às livrarias portuguesas, editado pela Astrolábio.

O romance conta a vida da protagonista Sonia Butti que, com a pandemia provocada pela covid-19, se “encontrou a si mesma e à felicidade que passou a vida à procura através do amor”. Intitula-se “97 Dias” porque se desenrola temporalmente entre o “começo e o fim do primeiro confinamento devido à covid-19”, explica a autora.  “Os amantes da obra vivem em locais diferentes e separam-se no fim do confinamento”.

Os acontecimentos que marcam a narrativa entrelaçam-se entre o drama, a ironia e o romance. Nas palavras de Susanna Sironi, trata-se de um “misto de emoções com que o leitor se pode identificar”.

A autora admite que a obra “tem muito a ver” consigo. “Também eu procurei encontrar-me, encontrar o meu caminho ao sair de Itália”. E acredita tê-lo conseguido: “Tinha a sensação de ter nascido no lugar errado. Não era feliz naquela rotina”, revela, lembrando quando em 2013, apesar de trabalhar na administração pública italiana há vários anos, decidiu mudar-se para o Brasil.

No entanto, só em Portugal, em 2018, descobriu “o país aberto, acolhedor, com oportunidades para quem quiser (re)começar” que tanto procurava. “Em Portugal sinto-me em casa. Sinto que posso chamar Porto Covo de lar. Aqui encontrei o meu pequeno paraíso, na frente do oceano, no meio da  natureza, rodeada de paz, longe da confusão e do ritmo frenético da cidade”, revela.

Apesar de considerar que tem, “desde sempre”, um lado criativo, só agora se dedicou à escrita. No norte de Itália, de onde é natural, “as pessoas são fechadas e pensam muito em trabalho, pelo que ninguém me encorajava a soltar o lado criativo uma vez que o foco devia ser sempre trabalhar e ganhar dinheiro”, conta.

Susanna Sironi decidiu, assim, mudar o estilo de vida e garante que o contacto com a natureza “tem alimentado” o seu lado criativo: “Durante a quarentena tive muito tempo para dar asas à imaginação. Foi a partir desta conjuntura que nasceu o “97 Dias”. 

Ainda sem data de lançamento oficial prevista, os primeiros exemplares da versão portuguesa já “desapareceram”, revela a autora. A obra conta com o apoio da Direção Regional de Cultura do Alentejo e já tem presença garantida na Feira do Livro de Lisboa, a realizar-se entre 26 de agosto e 12 de setembro deste ano.

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