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Campanha de ‘crowdfundig’ para filme sobre Alcindo Monteiro

Texto Margarida Maneta

Miguel Dores, no âmbito do projeto de mestrado em Antropologia Visual, comprometeu-se a lutar “contra o esquecimento” do homicídio de Alcindo Monteiro a partir de um estudo audiovisual. Mas “importância da história” levou-o mais longe: produziu uma longa-metragem documental, tendo por base o trabalho colaborativo e voluntário. Agora, precisa de apoio financeiro para a fase de pós-produção.

“[Para o filme] ser finalizado e aprimorado necessita de uma série de trabalhos técnicos: coloração, grafismo, sonoplastia, mistura de som, direitos de imagem, etc. É um tipo de trabalho que não conseguimos desenvolver da forma colaborativa que desenvolvemos até então”, pode ler-se na plataforma PPL, onde instalou a campanha de ‘crowdfunding’ com o objetivo de angariar 10 mil euros. A iniciativa já alcançou 81% da receita necessária e conta com o apoio institucional do SOS Racismo.

“Alcindo” retrata a história de Alcindo Monteiro, morto à pancada por um grupo de skinheads, na madrugada de 10 para 11 de junho de 1995 no Bairro Alto. O filme conta com a participação de familiares, amigos e colegas de trabalho da vítima, advogados, pessoas presentes no local nesse dia e outras que começaram a sua atividade política naquela altura, indica-se.

Através do recurso a, por exemplo, “arquivos”, “imprensa”, “vídeos caseiros”, “panfletos”, “documentos judiciais”, “revistas políticas”, “entrevistas”, “memórias”, o estudante documenta “uma noite longa” que considera, na verdade, “uma noite do tamanho de um país”.

A “luta”, no entanto, não é só sobre este caso: “os conflitos raciais parecem não perder a sua plena atualidade – os casos do Kuku, da esquadra de Alfragide, do Bairro da Jamaica, do Giovanni, da Cláudia Simões, Bruno Candé -, são apenas exemplos de uma conta não saldada”, aponta. Nesta lógica, Miguel Dores indica que o documentário “procura antes de tudo ser uma homenagem àqueles que resistem e àqueles que caem, e que nessa homenagem ilustra a estruturalidade de um conflito”.

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