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Como se a tristeza tivesse pressa. “AuRora”, o novo álbum de Gisela João

Sucessor de “Nua” (2016) e “Gisela João” (2013), “AuRora” é o primeiro álbum de Gisela João a apresentar essencialmente canções originais e é também o disco em que a artista se estreia como letrista e compositora, assinando ainda a produção em parceria com Michael League, dos premiados Snarky Puppy, e Nic Hard. E canta não apenas como esperamos que cante mas para lá de tudo o que lhe ouvimos cantar até hoje. 

“Louca”, “Já Não Choro Por Ti” e “Canção Ao Coração”, os três singles de AuRora, cujos vídeos oficiais filmados em São Paulo já foram divulgados, encerram uma trilogia cuja narrativa transforma numa curta metragem quando vistos na devida sequência. Em AuRora nada foi deixado ao acaso.

Gonçalo M. Tavares, escritor que assina o “prefácio” deste álbum, sublinha que  Gisela João “coloca na tristeza uma pressão que vem do tom com que recebe cada letra. O fado aqui acelera, ganha velocidade como se a tristeza tivesse pressa”. 

“Não é um sítio para ficar – a tristeza é, umas vezes, o corredor de uma casa por onde se passa rapidamente para outro lado; não é para sentar, mas para circular. Um ponto de passagem. Outras vezes não. Em certas músicas, é mesmo para escavar esse instável sítio até ao fundo. Há abandono, melancolia e perda amorosa, desistências e mudanças decisivas”, acrescenta.

“Fado é sentimento. Esta foi a primeira coisa que a Gisela me disse quando lhe perguntei por que razão queria um produtor americano a trabalhar um álbum de um género tido como conservador e por vezes purista, até. Desde que ouvi fado pela primeira vez em Lisboa há cerca de uma década, que me tornei um grande fã do género, mas adorar fado e produzir um disco de fado são coisas totalmente diferentes”, comenta o produtor Michael League.  

“Senti o medo natural do estrangeiro prestes a profanar uma tradição linda e antiga que, ainda por cima, amo profundamente. Os arranjos e as sessões de gravação foram um processo desafiante. Mas à medida que fui conhecendo melhor a Gisela e a sua vida, as suas ambições e o seu gosto, apercebi-me que o sentimento por detrás do fado – fora da estética, regras ou normas – é e sempre foi a única coisa que procura enquanto artista”, refere.

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