“A criatividade de hoje vai ser o património e a tradição do futuro”
2021-04-11
Herança cultural reinterpretada à luz da contemporaneidade
2021-04-12
Mostrar tudo

Debate sobre artes de rua. “A cultura não pode ser uma flor na lapela”

Texto Margarida Maneta

“Não há instrumentos” de apoio “a quem já cá está” para desenvolver as suas “iniciativas culturais”, nem a quem vem de fora, através da criação de “residências artísticas”, lamenta André Tomé, ex-diretor do Centro Unesco de Beja. Citando o sociólogo João Teixeira Lopes, na afirmação de que “a cultura não pode ser uma flor na lapela”, André Tomé explicita: “Tem de ser um elemento estruturante da dinamização” das regiões. E alerta: “Se é importante para as cidades, ainda mais o é para este espaço deprimido”. Ignorar isto acaba por simbolizar, também, o “esquecimento” das pessoas.

O ex-diretor do Centro Unesco de Beja e investigador do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património da Universidade de Coimbra foi um dos oradores na terceira sessão da conferência “Artes de Rua no Desenvolvimento dos Territórios”, organizada pela Sestespinhas na Casa-Museu Quinta da Esperança, em Cuba, que contou igualmente com a presença de António Revez, encenador e diretor artístico da Companhia Lendias d’Encantar e de Daniel Sousa, do Movimento Artistas de Rua numa mesa redonda dedicada ao tema “O meio rural como palco para as práticas artísticas criativas. Exemplos de intervenção cultural”.

Em mais de 20 anos de atividade, foram “raros” os momentos em que o “trabalho desenvolvido pela Companhia Lendias d’Encantar foi divulgado” em grandes órgãos de comunicação social, começou por lamentar António Revez. Esta situação “traz consequências negativas” porque, com falta de visibilidade, o júri de concursos, como o da DGArtes, não tem acesso às atividades desenvolvidas. “As candidaturas só são avaliadas pelas propostas que fazemos sem qualquer aferição sobre o trabalho que desenvolvemos” ao longo destas duas décadas.

Segundo António Revez, a cultura ou não é “uma opção de apoio político” ou, quando é, “disponibiliza recursos insignificantes relativamente aos das grandes cidades”. Devia, por isso, no seu entender, existir uma “discriminação positiva” destas regiões marcadas pela “falta de massa crítica”. 

É exatamente esta escassez que, de acordo com Daniel Sousa, explica a “centralização” das artes de rua em regiões com maior “circulação de pessoas” e afluência “de turistas”. Acabando as regiões do interior por ser “menos procuradas”. Além disso, o membro do Movimento Artistas de Rua lamenta a falta de financiamento e incentivos que lhes permitam “chegar ao meio rural”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *