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Eugénio Rosa: “Pandemia está a agravar ainda mais as desigualdades sociais”

A crise económica e social causada pela pandemia de covid-19 “está a agravar ainda mais as desigualdades que já eram enormes no nosso país”, defende o economista Eugénio Rosa, autor de um estudo sobre a “desigualdade crescente na repartição da riqueza”. A tese central é que o combate à pandemia, através de medidas como o confinamento e o encerramento dos “setores mais débeis da economia” se traduziu num agravamento do fosso “entre o trabalho e os donos de capital” e em “grandes desigualdades salariais impostas pelas empresas”, que vieram “agravar” a repartição de riqueza.

A convicção do economista é que a atual crise acentua uma tendência preexistente. Recorrendo aos dados das Contas Nacionais, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, Eugénio Rosa refere que, em 2008, os trabalhadores receberam, sob a forma de “ordenados e salários”, 65 454 milhões de euros (36,5% do Produto Interno Produto), enquanto os “donos do capital” receberam 72 757 milhões de euros, sob a forma de excedente produto de exploração (40,6% do PIB).

Entre trabalhadores e “donos de capital” havia, em 2008, uma diferença de 7 3030 milhões de euros. Diferença que, em 2019, já tinha aumentado para 12 828 milhões de euros (+ 75,6%), na medida em que os salários somaram 74 640 milhões de euros (35% do PIB) e o excedente bruto de exploração saltou para 87 468 milhões de euros (41% do PIB).

“Esta desproporção na forma como é repartida a riqueza criada no país ainda se torna mais clara quando se compara o número de trabalhadores com o número de donos do capital”, acrescenta Eugénio Rosa. Citando dados do INE, referentes ao fim de 2020, o economista refere que o número de “trabalhadores por conta própria como empregadores” era de 222,6 mil (4,6% do emprego total), que recebeu 41% da receita criada, enquanto os 4 milhões de trabalhadores (83,2 por cento do emprego total) não foram além dos 35% do PIB.

“A riqueza criada no país diminuiu no primeiro trimestre de.2021, o desemprego continua a aumentar de uma forma rápida como os últimos dados do IEFP revelaram, a procura de ajuda alimentar disparou, o ritmo de vacinação continua frouxo e aos ziguezagues, e ainda não terminou esta vaga e já meios de comunicação social alarmistas anunciam uma outra vaga ou outra variante do vírus”, adiante Eugénio Rosa.

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