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Herança cultural reinterpretada à luz da contemporaneidade

Texto Margarida Maneta

A relação entre a herança cultural e a arte contemporânea é “uma questão permanente”, acredita Paula Garcia, coordenadora da candidatura de Évora a Capital Europeia da Cultura em 2027. E justifica: porque a possibilidade dada pela arte contemporânea ao património herdado de “comunicar e desafiar” ajuda a “projetar o futuro” e a evitar “uma visão conservadora do mundo”.

Esta fusão entre a arte contemporânea e a herança cultural contribuem “para uma atualização do conhecimento tradicional”, acrescentou a diretora regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, no último dia da conferência “Artes de Rua no Desenvolvimento dos Territórios”, promovida pela Setespinhas – Associação para a Cultura e o Desenvolvimento, na Casa-Museu Quinta da Esperança, em Cuba. Sublinhando, simultaneamente, que se refere ao saber fazer e não “aos objetos”, afastando-se da cada vez mais recorrente “coisificação” cultural. 

Paula Garcia considera que, para uma cidade candidata a Capital Europeia da Cultura, é uma oportunidade mostrar que “esta herança cultural pode e deve ser reinterpretada à luz da contemporaneidade”. Até porque, acrescentou Ana Paula Amendoeira, a herança cultural e a arte contemporânea quando “aliadas e não encenadas”, tiram “proveito” uma da outra. Permitindo, a partir deste conhecimento desenvolvido, “uma performance melhor no futuro”.

No entanto, apesar de as heranças culturais serem “muito grandes”, Martim Sousa Tavares, diretor musical da Orquestra Sem Fronteiras, acredita que ainda “não é suficiente para que as pessoas a conheçam e vivam numa relação com ela”. Por isso importa apostar na mediação entre os públicos e a produção cultural. “Não basta tocar e esperar que por osmose as pessoas passem a relacionar-se com esta forma de arte”, exemplificou. É preciso construir uma “relação” entre as pessoas e o património e que esta se mantenha “viva”, explicou Martim Sousa Tavares. 

Relação esta que a diretora regional da Cultura do Alentejo acredita ser capaz de “tocar o coração das pessoas de forma imediata”, principalmente quando tem por base “a música”. E completou: a criação cultural deve “iluminar as comunidades” e não ser condicionada por metas económicas.

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