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(cinema) Madame Claude. Ou a mulher que quis “embelezar o vício”

Texto Francisco Alves

A história é real. Ou melhor dizendo, Madame Claude, agora estreado, inspira-se em factos reais. Escrito e realizado por Sylvie Verheyde, o filme conta-nos a história daquela que foi a dona do mais exclusivo bordel de Paris nas décadas de 60 e 70 do século XX, frequentado por gente como Marlon Brando, John F. Kennedy ou o Xá do Irão, para citar alguns dos nomes que por lá são referidos. Consta, aliás, que todos os fins de semana Madame Claude enviava mulheres para Teerão, numa espécie de “Amazon da prostituição” de meados do século XX.

Nascida numa família modesta de Angers, no oeste de França, Fernande Grudet, mãe solteira, muda-se para Paris, deixando a filha entregue aos cuidados da avó. É na grande cidade que assume o nome de Claude e se começa a dedicar à prostituição, cedo percebendo que tinha (ainda) mais jeito para o negócio. “Existem duas coisas pelas quais as pessoas sempre pagarão: comida e sexo. E eu nunca fui boa em cozinhar”.

O bordel abre em finais da década de 50, no número 18 da Rua de Marignan. É a partir daqui que o filme de Sylvie Verheyde a acompanha, sem alcançar a profundidade que uma história tão rica como esta merecia – além dos nomes famosos, a casa era também frequentada quotidianamente por governantes e diplomatas de topo, sendo por isso palco de intrigas de espionagem.

Ainda assim, lá está toda a crueza da vida num bordel, do recrutamento minucioso das candidatas a prostitutas (e por lá terão passado cerca de 500), para as quais a madame inventava passados quase aristocráticos, às agressões e humilhações, como a de serem “experimentadas” e “avaliadas” por um amigo da patroa.

Sylvie Verheyde não romantiza a vida num bordel de luxo, antes pelo contrário. Mas também não se entretém com julgamentos morais. Como afirmou numa entrevista à AFP, Madame Claude foi, acima de tudo, uma “grande mentirosa”. Dito de outra maneira: “Uma fraude que queria embelezar o vício, o que significava esconder todas as coisas feias para debaixo do tapete”. Um “tapete” para debaixo do qual este filme nos permite espreitar. 

Madame Claude

Realização: Sylvie Verheyde

Actor(es): Karole Rocher, Roschdy Zem, Garance Marillier

Duração: 112 minutos 

Estreia: 2021

Classificação: 2/5

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