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“Mão-de-obra”. Culturgest exibe primeira exposição antológica de António Bolota

Texto SW Portugal | Fotografia Vera Marmelo

“Mão-de-obra”, a primeira exposição antológica de António Bolota, está patente ao público na Culturgest, em Lisboa, até ao próximo dia 19 de setembro. Nela poderemos ver peças criadas especificamente para os espaços da Culturgest e ver ou rever algumas das peças fundamentais do seu percurso.

Muito do trabalho de António Bolota parte de uma sensibilidade apurada do espaço e do modo como nele nos comportamos. Mais exatamente, dos elementos que estruturam os espaços que habitamos e que condicionam o modo como vivemos, interagimos e nos comportamos. O seu léxico escultórico é composto por muros, vigas, paredes, portas, pilares e todo o tipo de elementos que associamos ao universo da construção civil e que, de tão familiares, se tornam frequentemente invisíveis.

O que não é, de todo, familiar ou provável é o modo como o artista nos dá a ver estes elementos, frequentemente deslocados dos seus usos, dos seus locais, da sua escala e dos seus formatos habituais. 

A transformação a que António Bolota os sujeita reverte sempre a favor de uma subversão das nossas expectativas quanto ao funcionamento do mundo físico, deixando-nos a braços com um sentimento de perplexidade, com aquela vertigem que aparece sempre que os nossos olhos reportam algo que o corpo não pode crer.

“Mais do que a forma, o conceito ou o processo, os objetivos do seu trabalho passam pela instauração controlada de vivências de perigo, de espanto ou de incredulidade; por forçar os estados de alerta que dessas vivências decorrem e através dos quais nos apercebemos, com outra força e acutilância, da fragilidade do aglomerado de carne, sangue, linfa e osso que nos constitui”, assinala Bruno Marchand, curador da exposição.

“As peças de António Bolota”, acrescenta, “são feitas para serem experienciadas mais do que uma vez. Olhá-las é determinante, mas significa pouco. É preciso vivê-las, percorrê-las, habitá-las. No fundo, é preciso cumpri-las repetidamente. Não necessariamente pelo que essa repetição nos possa revelar sobre elas e sobre o universo do artista, mas pelo que nos pode dizer sobre nós mesmos: sobre o nosso corpo e as suas medidas, sobre o modo como enfrentamos desafios e o que deles fazemos, sobre a nossa capacidade para acolher a poética da nossa finitude partilhada, sobre o assombro da beleza escondida em tanto do que já está à vista no nosso quotidiano comum, e sobre a capacidade de nos deixarmos transformar a partir de uma experiência artística”. 

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