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“O Alentejo é líder das regiões emergentes europeias” (com vídeo)

Ana Luísa Delgado e Margarida Maneta texto | Gonçalo Figueiredo fotografia e vídeo

O representantes do Alentejo em Bruxelas, Marcos António Nogueira, diz que “além de uma região única no plano nacional e no patamar europeu”, e de cooperar “com lealdade, mas com diferenças significativas” com outros territórios, o Alentejo é “líder das regiões emergentes europeias”.

Depois, do ponto de vista da competitividade, sublinha, o Alentejo “tem uma margem de progressão muito grande, em diversas áreas de inovação”, mesmo que e partilhando fatores aparentemente contraditórios: “Somos uma região muito rural, mas uma região muito presente em indústrias de ponta, como a aeronáutica e eletrónica. Numa área particular, a das comunidades inteligentes (smart community), que eu digo que são a face humana das smart cities, somos a região que lidera o projeto europeu H2020 Aurora”. 

Ou seja, acrescenta Marcos António Nogueira, o Alentejo tem “elementos de inovação que nas características em que se combinam com outros elementos, eventualmente de legado natural, cultural, social, lhe dão essa característica única”. E, depois, recorda, é também uma “região de cultura” que tem, de um ponto de vista per capita, “das maiores taxas de reconhecimento da Unesco de património material e imaterial de que também há que cuidar e que tem um peso significativo do ponto de vista orçamental”. 

“A gestão de todos esses fatores tornando-os valor acrescentado, uma alavanca de crescimento inteligente e de oportunidades para o futuro, oferece ao Alentejo esta característica única que no plano europeu nos distingue e, distinguindo-nos positivamente, proporciona grandes oportunidades”, refere o representante em Bruxelas.

Marcos António Nogueira falava à SW Portugal à margem de um debate sobre a política regional europeia e os seus impactos no Alentejo, realizado no Centro de Inovação Social da Fundação Eugénio de Almeida (FEA), em Évora, em que também participaram a vice-presidente da CCDR Alentejo, Carmen Carvalheira, e o coordenador da área social e de desenvolvimento da FEA, Henrique Sim-Sim.

“É um desafio construir a Europa em conjunto, em cooperação, com uma muito maior participação das regiões e eu penso que essa é a questão-chave da agenda europeia no que respeita ao desenvolvimento regional. Cooperação, participação, responsabilidade das regiões e, nessa ótica, esse desafio europeu é, por um lado, apaixonante e, por outro, obriga-nos a mantermo-nos unidos, a agir com responsabilidade, a ter uma visão e uma ambição que ultrapasse aquilo que tem vindo a ser normal e, portanto, que nos ultrapassemos a nós próprios nesta década”, sublinha.

Comentando o facto de o programa operacional Alentejo 2020 estar com uma taxa de execução na ordem dos 50%, Marcos António Nogueira defende a necessidade de um trabalho “o mais coordenado possível” para “aproveitar todas as oportunidades”, mas garante que a existência de uma maior ou menor execução num determinado fundo “não é necessariamente um indicador de desempenho, pois os indicadores de desempenho e de sucesso para a região são outros e, alguns deles, temos muito bons”.

Entre estes inclui o da inovação. E explica: “Se pusermos o Alentejo em comparação com outras regiões de baixa densidade europeias temos indicadores de inovação, por exemplo, no que diz respeito à capacidade de inovação aberta, portanto, à forma como as empresas trabalham com outros empresas em conjunto, agregando ideias inovadoras em novos produtos, projetos e serviços temos indicadores muito positivos”, à semelhança do que sucede nos planos ambiental ou social.

“Temos uma costa preciosa, uma paisagem única, um solo ainda muito bom, uma boa gestão da água. Do ponto de vista social, um território feito de aldeias em que há uma noção de comunidade, de entreajuda, de robustez desse tecido que também nos oferece características únicas”, conclui.

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