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Ousadia experimental de Luísa Cunha premiada pela Fundação EDP

Luísa Cunha é a vencedora da edição de 2021 do Grande Prémio Fundação EDP Arte. O júri deliberou por unanimidade atribuir este prémio à artista salientando a originalidade, ousadia experimental, multidisciplinaridade, e pioneirismo no uso de novas linguagens desta artista, e destacando também a sua influência nas gerações mais jovens.

O júri salientou ainda, para fundamentar a sua decisão, a forma como a artista trabalha o espaço e o som a partir da linguagem verbal, num permanente jogo de construção e desconstrução de significados, sublinhando que o trabalho de Luísa Cunha está fora de classificações geracionais, sendo herdeira das experiências de desmaterialização da arte internacional dos anos 70.

“Sendo este um prémio de reconhecimento, contribuirá certamente para dar a Luísa Cunha a visibilidade pública que o seu mérito artístico justifica”, diz fonte da Fundação EDP Arte.

Luísa Cunha nasceu em 1949 em Lisboa, onde vive e trabalha. Concluiu o Curso Avançado de Escultura no AR.CO – Escola de Artes Visuais, Lisboa. Em 1994 foi a artista-residente convidada a participar na 1.ª Academia Internacional de Verão para Artistas Plásticos, no Convento da Arrábida. De 1994 a 1997 foi professora de Escultura no AR.CO – Escola de Artes Visuais em Lisboa. Tem desenvolvido a sua obra utilizando como suportes o som, o texto, o desenho, a fotografia, o vídeo e a escultura, servindo-se continuamente da palavra, sob as mais diferentes perspetivas.

Entre os projetos em que participou destacam-se: Jornadas de Arte Contemporânea, Palácio do Freixo, Porto, (1996); Bienal de Sidney, 2004; The Invisible Show, Granada e no MARCO – Museu de Arte Contemporânea, Vigo, Espanha em 2006; Stream, Whitebox, Nova Iorque, 2007; Luísa Cunha – Exposição Antológica, Fundação de Serralves, 2007; I’m Not Here. An Exhibition Without Francis Alys, De Appel Arts Center, Amsterdão, 2010.

“A actividade artística de Luísa Cunha tem conhecido muitas variações materiais. Interessa-lhe explorar muitas matérias, porque essa diversidade material corresponde a diferentes modalidades expressivas. Uma característica de tal modo forte que nunca se sabe bem o esperar da suas exposições: podem ser fotografias, vídeos, desenhos, pinturas ou peças sonoras”, assinalou o crítico Nuno Crespo (“Exercícios de Suspensão”, Público, março de 2015). Acrescentando: “No entanto, há dois elementos comuns, a saber: a maneira como inscreve a linguagem no corpo das obras ou nos seus títulos, e uma certa ideia de absurdo que diz respeito à forma como esta artista lida (alterando, invertendo, desrespeitando) com os protocolos da experiência das obras de arte e com todas as expectativas existentes sobre o que é e o que deve dizer uma obra de arte”.

O júri desta edição foi composto por Benjamin Weil, curador e crítico de arte francês e diretor do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian; Philippe Vergne, diretor do Museu de Arte Contemporânea de Serralves; Teresa Patrício Gouveia, antiga presidente da Fundação de Serralves e antiga administradora da Fundação Calouste Gulbenkian, e Tobi Maier, diretor das Galerias Municipais de Lisboa; além de três nomes ligados à Fundação EDP: Vera Pinto Pereira (presidente), Miguel Coutinho (administrador e diretor geral) e José Manuel dos Santos (administrador e diretor cultural).

O Grande Prémio Fundação EDP Arte foi criado no ano 2000 com o objetivo de consagrar artistas plásticos, com carreira consolidada e historicamente relevante, cujo trabalho contribui para afirmar e fundamentar as tendências estéticas contemporâneas portuguesas. Além do valor pecuniário do prémio de 50 mil euros, o artista escolhido é homenageado através de uma exposição de caráter retrospetivo e/ou antológico, e da publicação de um catálogo que constitui uma importante referência historiográfica e bibliográfica.

Na história das suas edições, o Grande Prémio Fundação EDP Arte já distinguiu grandes nomes da arte contemporânea como Lourdes Castro (2000), Mário Cesariny (2002), Álvaro Lapa (2004), Eduardo Batarda (2007), Jorge Molder (2010), Ana Jotta (2013) e Artur Barrio (2016).

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