Universidade de Évora abre candidaturas ao Prémio Vergílio Ferreira
2021-09-28
Escravos. A história dos africanos no Vale do Sado no século XVIII
2021-09-29
Mostrar tudo

“Teatro das Imagens – Cruzeiro Seixas, a poética do engano”

Encerra no próximo dia 9 de outubro a exposição “Teatro das Imagens – Cruzeiro Seixas, a poética do engano”, patente ao público na galeria do espaço da cisterna no Convento do Espírito Santo, em Évora. Trata-se de um conjunto de fotografias de João Francisco Vilhena sobre o poeta e artista plástico Cruzeiro Seixas, um dos protagonistas mais importantes do movimento surrealista português.

As imagens são fruto de um desafio lançado em 2018 pelo próprio João Francisco Vilhena a Cruzeiro Seixas no dia em que este completou 98 anos. “Nunca imaginei vir a cruzar-me com Cruzeiro Seixas e a realizar um ensaio fotográfico onde ele é figura principal. Conheci-o no Centro Português de Serigrafia, adorei a sua amabilidade e simplicidade. Senti a urgência de preservar o encontro com o artista e poeta que entrou de rompante na minha vida”, refere o fotógrafo.

Sobre esse encontro inicial, o fotógrafo recorda em particular uma frase que Cruzeiro Seixas, então com 97 anos, lhe dirigiu: “O que eu faço são papelinhos”. Seguiu-se um encontro na Casa do Artista. “”Dotado de uma memória notável as conversas extravasaram as atividades surrealistas entrando numa viagem fantástica pela vida de um homem verdadeiramente raro, tanto no plano pessoal como artístico. Senti durante esse período de descoberta a urgência de preservar o encontro com o artista e poeta que entrou de rompante na minha vida”. 

Surgiu assim a ideia de fotografar Cruzeiro Seixas. Mas como? “Sozinho, no palco de um teatro aguardando alguém talvez figuras mascaradas”, propôs o fotógrafo. ” Ótimo! Mascaradas de Cruzeiro Seixas”, respondeu o mestre. 

Na década de 40 do século passado, Cruzeiro Seixas, juntamente com Mário Cesariny, com quem manteve uma relação longa e intensa de amizade, António Maria Lisboa, Carlos Calvet, Pedro Oom e Mário-Henrique Leiria, entre outros, integra o grupo Grupo Surrealista de Lisboa, resultante da cisão do recém formado movimento surrealista português. Participa na exposição desse grupo em 1949, a primeira exposição dos surrealistas, composta por obras, performances e instalações que provocaram escândalo em Lisboa.

A sua obra está representada em colecções como as do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação Cupertino de Miranda.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *