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“Um país sem cinema documental é como uma família sem fotografias”

Texto Margarida Maneta

“Um país sem cinema documental é como uma família sem álbum de fotografias”.  A frase é do artista chileno Patrício Guzmán, citado por Joana Pontes, realizadora de “Visões do Império”, um filme cuja estreia mundial ocorreu na 18.ª edição do DocLisboa. Este filme, “sobre o modo como o império português e a sua história foram imaginados, documentados e publicitados a partir do registo fotográfico”, nasceu da “necessidade de tirar a investigação da academia”, que vinha a desenvolver no âmbito do doutoramento, e “colocá-la no espaço público”, explicou a realizadora.

Apesar de se revelar expectante com o rumo que o filme vai ganhar, ambicionando chegar a “salas de cinema e até a salas de aula”, a realizadora considera a estreia no DocLisboa um bom início de caminhada. “O DocLisboa é um dos festivais mais importantes. É uma montra de trabalhos das mais diversas geografias” a que de outra forma não se chegaria, afirmou.

No encerramento desta edição, a decorrer até 10 de maio, também é possível assistir a “Fé, Esperança e Caridade”, uma homenagem à realizadora e encenadora do filme, Maria João Rocha, que faleceu no ano passado, e à cópia restaurada de “Grand Opera: An Historical Romance”.

A programação prevê que o último dia do festival termine com “Paris Calligrammes” uma estreia de Ulrike Ottinger, artista alemã, em Portugal. Estas obras vão ser exibidas na Culturgest, numa altura em que o país está a desconfinar.

Esta edição, no entanto, ficou marcada por algumas exceções, devido ao segundo confinamento, decretado em janeiro. A iniciativa ganhou forma maioritariamente no digital, tendo a organização reunido esforços para que não perdesse a sua essência. “A preocupação era perceber como é que vendo um filme sozinho em casa se consegue manter a sensação de estar num festival, em ligação com o filme e em contacto com o realizador”, explicou Joana Sousa, membro da organização do evento.

Para tal, após o visionamento dos filmes, estabeleceram-se “ligações com os realizadores em formato online”, clarificou Joana Sousa. Com encerramento previsto para março, mas só a decorrer agora, a organização revelou que “um festival de cinema nunca tinha sido apresentado neste formato: tão alongado no tempo e sem competições”.

No entanto, consideraram preferível que assim fosse a ter de cancelar o evento. “O DocLisboa disponibiliza um espaço para ver cinema e discutir o seu lugar no panorama cultural, social e político. Cancelá-lo seria retirar um espaço de discussão que é cada vez mais importante hoje em dia”, afirmou Joana Sousa.

A cerimónia de encerramento prevê a atribuição do único prémio desta edição, o prémio Fernando Lopes. Além disso, vão também ser anunciadas informações sobre a próxima edição, que tem início em outubro deste ano, e outras iniciativas, em “colaboração com Inatel e SOS Racismo”.

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